{"id":55477,"date":"2018-11-14T15:38:51","date_gmt":"2018-11-14T15:38:51","guid":{"rendered":"http:\/\/jorgesantos.net\/?p=55477"},"modified":"2025-01-13T14:52:12","modified_gmt":"2025-01-13T14:52:12","slug":"flowerornament","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/flowerornament\/","title":{"rendered":"A compliment to the decorative arts"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text]<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-54025 size-medium\" src=\"http:\/\/jorgesantos.eu\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/flower_ornament_6-215x300.jpg\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jorgesantos.eu\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/flower_ornament_6-215x300.jpg 215w, https:\/\/jorgesantos.eu\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/flower_ornament_6-768x1072.jpg 768w, https:\/\/jorgesantos.eu\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/flower_ornament_6-733x1024.jpg 733w, https:\/\/jorgesantos.eu\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/flower_ornament_6.jpg 1146w\" sizes=\"auto, (max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Um elogio \u00e0s artes decorativas<br \/>\n<\/b><\/span><\/h1>\n<h3 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b><br \/>\n<\/b><\/span>por Jos\u00e9 Rui PP<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A exposi\u00e7\u00e3o\u00a0<span class=\"s2\"><i>Flower Ornament<\/i><\/span>, de\u00a0<span class=\"s2\">Jorge Santos<\/span>, constitui um raro elogio a um g\u00e9nero art\u00edstico que j\u00e1 conheceu dias e reputa\u00e7\u00e3o melhores: as artes decorativas, que, no passado, enchiam oficinas e posteriormente pal\u00e1cios e casas senhoriais. As madeiras eram talhadas, a folha de ouro aplicada, as pratas gravadas, os panos de armar cosidos durante dias a fio, \u00e0 bruxuleante luz de velas. Seriam estes saberes, este conhecimento do labor preciso e minucioso, esquecidos pela industrializa\u00e7\u00e3o acelerada dos \u00faltimos s\u00e9culos, n\u00e3o fossem escolas como a\u00a0<span class=\"s2\">Funda\u00e7\u00e3o Ricardo do Esp\u00edrito Santo Silva<\/span>\u00a0(FRESS), numa exist\u00eancia h\u00edbrida entre museu e escola, a manter muitas das t\u00e9cnicas ancestrais legadas pelos mestres da antiguidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Jorge Santos recorda este l\u00e9xico escamoteado pelo tempo e mostra uma s\u00e9rie de obras que colocam em di\u00e1logo a arte contempor\u00e2nea com as artes antigas que integram a FRESS. O resultado \u00e9 semelhante a um relevo suave, contempor\u00e2neo de outras obras presentes no vasto esp\u00f3lio da funda\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">De facto, esta exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ter lugar de repouso mais acertado que este museu. O verdadeiro significado de contempor\u00e2neo afigura-se aqui com indubit\u00e1vel clareza: contempor\u00e2neo n\u00e3o \u00e9 o presente, n\u00e3o \u00e9 o \u201cagora\u201d; a arte contempor\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 a arte do presente, \u00e9 antes a arte que estabelece uma dial\u00e9tica entre tempos distintos e os aproxima, que revela ao olhar uma coexist\u00eancia temporal entre motivos aparentemente distantes de v\u00e1rias \u00e9pocas. Jorge Santos devolve-nos, portanto, aquele tempo olvidado em que o ornamento era belo e desejado nas pequenas coisas \u00fateis, num confronto direto entre o tempo das obras da cole\u00e7\u00e3o da funda\u00e7\u00e3o e a atualidade.<\/span><\/p>\n<p>O dourado metalizado com que estas impress\u00f5es cegas foram pintadas, repousa sobre o azul da parede e ofusca o olhar e d\u00e1 o requinte presente, por exemplo, na Sala Nobre. Um pouco por todo o pal\u00e1cio encontra-se esta conjuga\u00e7\u00e3o de tons que Yves Klein t\u00e3o bem trabalhou.<\/p>\n<p>A arte de bem adornar requer uma sensibilidade rara a que nem todos conseguem aceder. O que est\u00e1 impresso s\u00e3o arranjos florais. Nada h\u00e1 como uma jarra de flores sobre uma c\u00f3moda, na mesinha de centro, ao lado do quadro, para dar vida ao lar; um certo gosto burgu\u00eas vem \u00e0 mem\u00f3ria e a associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 inocente. Joana Consiglieri, autora do texto expositivo, nota que \u201cas flores emergem de uma intimidade oculta\u201d. E a repeti\u00e7\u00e3o seriada deste motivo torna a a\u00e7\u00e3o num \u201critual sagrado\u201d. O espetador tem o privil\u00e9gio de aceder \u00e0 ritualiza\u00e7\u00e3o (expandida pela cor dourada) da rel\u00edquia da natureza que \u00e9 a flor e que a arte e a poesia t\u00eam vindo a eternizar.<\/p>\n<p>Mas se os motivos florais s\u00e3o reconhec\u00edveis, tamb\u00e9m a aus\u00eancia \u00e9 not\u00f3ria. S\u00f3 o contorno se mostra para criar um vazio. Este vazio, por seu lado, \u00e9 manifesto de uma beleza caduca, a anuncia\u00e7\u00e3o lenta de uma morte. As flores expiram com o tempo a sua beleza. Arrancar uma flor \u00e0 natureza \u00e9 transportar um peda\u00e7o do seu assombro para um lugar privado. E isso acarreta uma perda. Deste modo, a exposi\u00e7\u00e3o\u00a0Flower Ornament\u00a0n\u00e3o deixa de narrar tamb\u00e9m uma certa perenidade de instantes belos, mas fugazes e que Jorge Santos cristaliza nas suas obras.<\/p>\n<p>\u2014<br \/>\nFlower Ornament, de Jorge Santos, na Funda\u00e7\u00e3o Ricardo do Esp\u00edrito Santo Silva, at\u00e9 30 de junho.<\/p>\n<p>IN: http:\/\/umbigomagazine.com\/um\/2017-05-30\/flower-ornament-de-jorge-santos.html<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text] &nbsp; Um elogio \u00e0s artes decorativas por Jos\u00e9 Rui PP &nbsp; A exposi\u00e7\u00e3o\u00a0Flower Ornament, de\u00a0Jorge Santos, constitui um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":54025,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-55477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55477"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55932,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55477\/revisions\/55932"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}