{"id":55624,"date":"2020-04-02T18:43:14","date_gmt":"2020-04-02T18:43:14","guid":{"rendered":"http:\/\/jorgesantos.net\/?p=55624"},"modified":"2020-04-02T21:07:52","modified_gmt":"2020-04-02T21:07:52","slug":"a-natureza-segundo-jorge-santos-na-abreu-advogados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/a-natureza-segundo-jorge-santos-na-abreu-advogados\/","title":{"rendered":"A Natureza segundo Jorge Santos, na Abreu Advogados"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1585853802689{margin-right: 20px !important;margin-left: 20px !important;padding-top: 70px !important;padding-bottom: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h4><em>Por\u00a0Jos\u00e9 Pardal Pina<\/em><\/h4>\n<p>A planta que nasce por entre as fendas do bet\u00e3o \u00e9 um triunfo do cosmos. Com o tempo, o inerte cede ao desgaste do que por ele passa; o vento traz a poeira necess\u00e1ria para a germina\u00e7\u00e3o; o acaso, trazido por uma ave, chutado pelo p\u00e9, empurrado pela \u00e1gua, deposita a semente que brota sobre o cinzento artificial.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>vita activa\u00a0<\/em>tolda-nos o olhar contemplativo e sonega todo e qualquer devaneio poss\u00edvel. A imagina\u00e7\u00e3o tem um prop\u00f3sito capital e nunca prazeirento. O bul\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o e da atividade, dos fluxos e dos hor\u00e1rios, deprime e esgota. N\u00e3o h\u00e1 lugar para a indol\u00eancia, para o vagar. Escapa-se-nos a planta que nasce por entre as fendas do bet\u00e3o, a \u00e1rvore que espreita por entre os edif\u00edcios, a flor nos buracos da cal\u00e7ada. Indiferentes a corpos estranhos e a exist\u00eancias diferentes das nossas, escapa-se-nos a comovente indiferen\u00e7a da natureza a tudo o que o homem produz. O drama da ecologia \u00e9 o homem esquecer que faz parte da natureza.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>Walden ou A Vida nos Bosques<\/em>, Henry David Thoreau escreve a sua experi\u00eancia asc\u00e9tica e simbi\u00f3tica com a natureza. Thoreau estabelece inicialmente a economia mais dom\u00e9stica do quotidiano no bosque e nas margens do Lago Walden, para dissertar depois sobre o trabalho e a vida no campo. Mas \u00e9 a sua vis\u00e3o cr\u00edtica sobre os tempos da natureza e do homem que estimulam o leitor.\u00a0<em>Walden<\/em>\u00a0faz o que Byung-Chul Han poderia chamar de\u00a0<em>pedagogia da vis\u00e3o.\u00a0<\/em>Sob o olhar atento e vivo de Thoreau, lembramos o prazer da natureza e nela a verdadeira possibilidade de liberdade.<\/p>\n<p>A obra de\u00a0<a href=\"http:\/\/jorgesantos.net\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jorge Santos<\/a>\u00a0tem trabalhado esta tens\u00e3o entre natureza e cultura, entre o org\u00e2nico e o inorg\u00e2nico, entre campo e cidade. Est\u00e1 na mesma linha de pensamento rom\u00e2ntico de Thoreau, mas os caprichos da modernidade situam-no tamb\u00e9m na vis\u00e3o contempor\u00e2nea do universo e do que de melhor pode ser resgatado do passado para ser novamente refletido no presente e no futuro.<\/p>\n<p>A linguagem pl\u00e1stica da pintura \u00e9 tamb\u00e9m a da atualidade: as formas s\u00e3o as estritamente necess\u00e1rias e a sugest\u00e3o tem mais poder que a concretude \u2013 adensando alguma da sensualidade das formas e dos temas representados. Nessa sugest\u00e3o cabe o fasc\u00ednio pelo bot\u00e2nico e pelos lugares; cabe a surpresa no virar da esquina e o estudo minucioso dos cortes e recortes, do cheio e do vazio; cabem o tempo e o espa\u00e7o espalmados no papel e, portanto, a dura\u00e7\u00e3o de um momento, seja ele fugidio ou vagaroso. O desenho vinga sob a profus\u00e3o que podia ser a pintura. A cor \u00e9 o elemento diferenciador da materialidade e a grada\u00e7\u00e3o de tons num mesmo plano \u00e9 um trabalho recente. A obra vive, ent\u00e3o, desta ambiguidade de campos pl\u00e1sticos, de n\u00e3o saber se \u00e9 mais desenho ou se \u00e9 mais pintura. Mas \u00e9 a\u00ed que reside justamente o interesse da sua obra.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o que Santos agora apresenta no novo espa\u00e7o da Abreu Advogados \u00e9 um comp\u00eandio das linguagens, gram\u00e1ticas e l\u00e9xicos que o artista tem vindo a explorar ao longo dos tempos. Em\u00a0<em>Flower Ornament<\/em>\u00a0relembra-se a aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0s artes decorativas e ao di\u00e1logo com a Funda\u00e7\u00e3o Ricardo Esp\u00edrito Santo; em\u00a0<em>Sun Around the House<\/em>\u00a0recorda-se a sala improvisada no espa\u00e7o galer\u00edstico A Montanha. Estes s\u00e3o, todavia, detalhes de um portef\u00f3lio bem mais vasto, que extravasa a planaridade do papel ou a quietude das formas. A s\u00e9rie\u00a0<em>Trepadeira<\/em>\u00a0\u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o tridimensional de v\u00e1rias pinturas, e em\u00a0<em>Buc\u00f3lico<\/em>\u00a0h\u00e1 uma curiosa experi\u00eancia em v\u00eddeo, que, n\u00e3o obstante a express\u00e3o da imagem em movimento, est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da pintura (e, depois, do desenho) que qualquer outro projeto f\u00edlmico.<\/p>\n<p>Ressalta, contudo, a beleza das atmosferas: o calor sobre os canaviais, as janelas que se abrem para a vegeta\u00e7\u00e3o densa, o mist\u00e9rio das plantas, das \u00e1rvores, da natureza; o prazer ocioso que deixa ver o sol e o tempo passarem; a indulg\u00eancia da ordem natural que perdoa e borra a inc\u00faria humana. Deste modo, as obras de Jorge Santos s\u00e3o, para o espectador, um guia do olhar, um convite \u00e0 medita\u00e7\u00e3o, que inspira, como toda a arte, a viragem da\u00a0<em>vita activa<\/em>\u00a0para a\u00a0<em>vita contemplativa.\u00a0<\/em>No fundo, a sua obra \u00e9 o que Nietzsche referiu em\u00a0<em>Crep\u00fasculo dos Deuses\u00a0<\/em>e que o j\u00e1 mencionado Byung-Chul Han reciclou<em>:<\/em>\u00a0\u201cacostumar o olho \u00e0 serenidade, \u00e0 paci\u00eancia, ao paulatino aproximar das coisas\u201d.<\/p>\n<p>Subordinada ao tema da\u00a0<em>Natureza,<\/em>\u00a0e j\u00e1 na terceira mostra de 2019, a exposi\u00e7\u00e3o de Jorge Santos, com a curadoria de Louren\u00e7o Egreja, \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o entre o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carpe.diem.a.p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carpe Diem Arte e Pesquisa<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abreuadvogados.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Abreu Advogados<\/a>\u00a0e pode ser visitada at\u00e9 28 de fevereiro.<\/p>\n<p><em>In<\/em> Umbigo Magazine,\u00a0<a href=\"http:\/\/umbigomagazine.com\/pt\/blog\/2020\/01\/17\/a-natureza-segundo-jorge-santos-na-abreu-advogados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/umbigomagazine.com\/pt\/blog\/2020\/01\/17\/a-natureza-segundo-jorge-santos-na-abreu-advogados\/<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1585853802689{margin-right: 20px !important;margin-left: 20px !important;padding-top: 70px !important;padding-bottom: 70px !important;}&#8221;] Por\u00a0Jos\u00e9 Pardal Pina A planta que nasce por entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":55663,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-55624","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55624"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55637,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55624\/revisions\/55637"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55663"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgesantos.eu\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}